ADORAÇÃO – CULTO CRISTÃO

ADORAÇÃO – Não é raro ouvir que a jóia que falta na coroa do cristianismo evangélico dos nossos dias é adoração. Sem dúvida nós os crentes, passamos horas sentados nos bancos das casas de oração, mas estaríamos por isso cultuando? Poucos têm parado para perguntar. “Qual seria o objetivo principal das reuniões na igreja? Adorar ou evangelizar e aprender? Creio que muitos pensam que tudo o que acontece nos cultos é ato de cultuar, de modo que não há necessidade de nos preocuparmos a respeito da adoração.

            Jesus disse que Deus procura “verdadeiros adoradores que adoram o Pai em espírito em verdade” (Jo 4:23). Quem são os verdadeiros adoradores? Paulo afirma que a verdadeira adoração é aquela que se oferece a Deus pelo espírito, não confiando na carne mas gloriando-se em Cristo Jesus (Fp 3:3).

            Tanto as palavras de Jesus como as de Paulo, contratam a verdadeira adoração com o culto judaico ou Samaritano, envolvendo sacrifícios e ritos religiosos tradicionais.

            Percebe-se então que adoração a Deus requer que, aquele que se aproxima de Senhor para adorá-lo, guarde-se de uma vida pecaminosa, indiferentes aos seus mandamentos, porquanto sua adoração será sem sentido; será uma falsa adoração, mesmo que os atos sejam perfeitos. Se Deus quer verdadeiros adoradores. Ele só se alegrará com aqueles que correspondem às suas exigências.

CONCEITO DE ADORAÇÃO –  RUSSELL P. SHEDD

            Para Russell Shedd, adorar e cultuar, juntamente com as palavras como fé e amor, pertencentes aos mais profundos níveis da verdade cristã, não se enquadram facilmente dentro de definições nítidas. Mais insceptível à descrição e experiência do que as limitações de uma definição verbal, qualquer tentativa de definir adoração será falha. Assim fala um sábio desejoso de expressar com palavras o que seria realmente adoração: “o transbordar de um coração grato, impulsionado pelo sentimento do favor divino”.

            No contexto em Jesus instrui a mulher de Samaria, acerca da verdade adoração, Ele declara que à ajuda que Ele daria ao sedento, “seria nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14). A fonte se abre no novo nascimento (Jo 3:5), jorra em adoração (4:14 e flui em rios de água viva um serviço obediente (7:37-39). O salmista aproximou-se do cerne da adoração genuína quando disse: “Tu és o meu Senhor, outro bem não possuo, senão a ti somente” (Sl 16:2). Adoração, tal como a palavra inglesa, (“worsship”, “valor reconhecido”) exprimiu a riqueza que Deus representa para o adorador.

            Quem se assenta num banco da igreja aparenta ser adorador, mas muitas vezes não é. Quantas refeições suculentas têm sido planejadas na hora solene do culto, ao contrario do que ocorreu com Maria, sentada “aos pés de Cristo” (Lc 10:39). Quantos negócios têm sido planejados, rascunhados e contratos fechados nas mentes daqueles que lotam os bancos da casa de Deus! Contudo, um ato de adoração reconhece a preciosidade de um encontro vital com Deus e tem para quem busca ao Senhor a vantagem incomparável de conquistar a pérola de grande valor (Mt 13:45). Fundamentalmente, adoração pode ser definida como “a resposta de celebração a tudo que Deus tem feito, está fazendo e promete fazer”.

            Para o verdadeiro adorador, a pessoa de Deus é tão precioso quanto um copo de água fresca, puríssima, num dia de calor. “ O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálise” (Sl 16:5). Adorar implica em peneirar nossos valores.

            Em suma: Adoração significa uma atribuição de honra e glória a quem ou do que o adorador considera de valor supremo. (RUSSELL, p. 23).

CONCEITO DE ADORAÇÃO – RAMON TESSMANN

 

            Para Ramon, adoração é amizade. Em primeiro lugar, ele inicia seu conceito de adoração, perguntando. Você se lembra de alguma circunstancia na qual você se lembra de alguma circustância na qual você foi apresentado a uma pessoa? Creio que sim. Nestas situações é natural que o ser humano se sentia retraído e tímido. Isto ocorre com todos, desde o mais introvertido ao mais extrovertido. Quando não há intimidade numa relação, tudo parece estranho, insólito. Contudo começa a mudar quando o relacionamento vai se estreitando, ficando mais profundo. Aí, a relação não é mais estranha, mas verdadeira, sólida e agradável.

            Em segundo lugar adoração é preocupação. Para o autor, adoração é uma preocupação constante em ter uma vida de santidade, agradável aos olhos do Pai. No início da caminhada com Deus, o homem deve se preocupar em derrotar os pecados mais “grandes” tais como roubar, mentir etc. a medida que a pessoa começar a entrar na intimidade com Deus, a preocupação automaticamente aumenta. Quanto mais temos contato com Deus e sua glória, mas reconhecemos a nossa pequenez e insignificância diante dele.

            Foi este o processo que o profeta Isaías enfrentou: então disse: aí de mim, pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e hábito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!” (Is 6:5).

            Em terceiro lugar adoração é aprender a agradar. Segundo o autor, as vezes fazemos coisas que, ao nosso ver, estão agradando a Deus, quando na verdade não estão. Por isso, foi mencionado anteriormente que, para agradar ao Pai, precisamos conhece-lo. O desejo de Deus para o adorador é a capacita-lo a entender o que é aprazível ao seu coração.

            Em suma: Adoração é doação –  adoração é a doação completa da vida do adorador para Deus. O apóstolo Paulo roga que: “… apresentei os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (Rm 12:1). (RAMON, p. 6).

 

CONCEITO DE ADORAÇÃO – WALTER ELWELL

 

            Para Walter, o conceito de adoração se encontra nos principais termos bíblicos, como na palavra hebraica Sahâ, e em grego, Poros kyneo, enfatizam o ato de prostração e reverencia. Isto pode ocorrer por consideração à dignidade da personalidade e influenciado um pouco pelo costume (Gn 18:2), ou basear-se no parentesco (Gn 49:89 ou na posição na vida (I Rs 1: 31).

            Num plano mais alto, os mesmos termos são usados para indicar as honras divinas prestadas a uma deidade, quer aos deuses da nação (Ex 20:5) quer ao único Deus vivo e verdadeiro que se revela nas Escrituras e no seu Filho (Ex 24:1). A instrução de Israel no deserto enfatizava fortemente a pecaminosidade da adoração aos ídolos e suas graves conseqüências (Dt 8:19) nenhum ultraje a Deus é comparável com a negação da sua singularidade e com a transferência a outro do reconhecimento devido a Ele. A luz desta, pode-se compreender sua referência a si mesmo como Deus zeloso (Ex 20:5).

            A perversão da adoração vê-se no esforço ávido de Satanás em obter para si aquilo que pertence corretamente apenas a Deus (Mt 4:9). Bem como na figura blasfema da besta (Ap 13:4). A diferencia endivida prestada ao homem às vezes chega perto da adoração, e é resistida pelos piedosos (At 10:25-26). Barnabé e Paulo protestaram contra a tentativa de serem adorados em Listra, baseada na impressão de que eles eram deuses que haviam descido até aos homens (At 14:11-14). Os anjos leais recusam a veneração (Ap 21:9).

             Em suma: Adoração num sentido mais restrito, o culto é de pura adoração, a elevação do espírito redimido em direção à Deus, na contemplação da sua perfeição Santa. Mateus faz uma distinção entre a oferta de presente feita pelos magos ao menino Jesus e sua adoração a Ele (Mt 2:11). Significa disser: que adoração a Deus é atribui-lhe o valor de que é digno.(WALTER, p. 20-21).

CONCEITO DE ADORAÇÃO – R. N. CHAMPLIN

            Para Champlin, adoração em primeiro lugar envolve a relação religiosa, a oração, o rogo, a adoração, a homenagem prestada a Deus ou algum ser ou pessoa superior. Em sentido estrito, somente Deus é objeto de nossa adoração. Mas, em sentido secundário, um profundo afeto por outro ser humano pode ser chamado de adoração, sem que isso infrinja o nosso amor a Deus. Amar outrem é amar Deus, pois todo amor origina-se em Deus.

Em segundo lugar, a relação da adoração é uma estrada com direção dupla: é inspirada por Deus, mas o homem corresponde. Alguma coisa existe no próprio homem que busca uma idéia suprema que possa exigir seu amor e adoração, porquanto a queda no pecado não obliterou esse algo, embora o tenha debilitado. Quando Deus fala por meio Cristo, esse sentimento interior é levado à sua plena fruição. Quando os homens buscam a beleza de Deus, a ser buscada e cultivada. Devemos buscar o Senhor enquanto Ele puder ser achado, mas Deus buscou o homem por meio de Cristo.            Em suma: adoração significa atos físicos que exibem adoração. Como: inclinar a cabeça (Ex 34:8), ajoelhar-se (I Reis 8:54), prostrar-se (Gen 17:3; Apo 1:17). Esses atos mostram o estado da alma, diante do poder de Deus. (CHAMPLIN, p. 3746).

Acredito que pastores, ministros de música, líderes, professores dos Seminários somos responsáveis pelo grau de confusão – pelo menos em uma grande parte. Temos visto em grande número de nossas igrejas. Batistas. Um consumismo exarcebado, uma agitação sem sentido, um modelo de vida descartável, que se reflete na criação de um estilo de vida. Mas ainda, quando tudo está confuso é porque perdemos o referencial, ou então não sabíamos qual era. Quando um funcionário está trabalhando errado, talvez ele não tenha sido treinado ou ensinado. Assim, são as pessoas que adoram a Deus em nossas igrejas. Elas estão adorando de uma forma errada, porque o conceito de adoração foi ensinado de uma forma errada.

            Com o surgimento do sagrado na pós-modernidade, surge com o iluminismo do Séc 19 e 20, a onde surge um ideussamento da  razão. Proporcionando assim um grande crescimento da ciência.

Uma da principal característica da pós-modernidade é a secularização, em cuja base está a elaboração de um projeto de vida que supervaloriza o material e o contingente, e dispensa como essenciais os valores espirituais, reduzindo-os a subprodutos da historia, algo descartável.

Não obstante a secularização, assistimos nesta virada de milênio a um novo efervescer religioso, onde o misticismo e a religiosidade estão em evidência. A fé está em alta, os templos lotados.

Para alguns, este fenômeno ocorre por conta do desencanto com o mundo moderno e suas contradições. O homem de hoje acumulou muitos bens para si, mas esvaziou-se de DEUS e, agora, buscando um novo sentido para a vida, vai retornando ao sagrado da adoração.

Apesar deste “bom” religioso, os valores do nosso tempo estão impregnados do anti-religioso. A vida moderna é essencialmente secularizada, fundada na competitividade, na mercantilização, nos interesses corporativos, na corrupção político-administrativa, nas injustiças sociais, na iniqüidade, no egoísmo, em fim, em tudo que reflete a ausência de Deus. Daí, é importante que se questione: qual é o sentido verdadeiro da adoração, ela hoje pode estar se dando por um itinerário estranho aos verdadeiros caminhos da fé.

Como na vida moderna, tanto a sociedade quanto os governos não precisam da religião, para nada que seja essencial ao seu funcionamento, a não ser ao caráter festivo e cultural que ela possui, a religião vai sendo transferida para a experiência individual e daí para o consumo, onde se transforma em um mero produto de consumo.

Os templos transformam-se em casas de “show”. Como o Marketing não tem escrúpulos, tudo vale tudo para atrair fies e animar o serviço religioso: gelo seco no altar, hinos travestidos em pagode, forró etc. O ritmo esquenta o corpo e a letra religiosa alivia a consciência, dando a ilusão de adoração e louvor. Artistas recebem altos cachês para testemunhar da salvação que receberam gratuitamente.

Na busca de um modelo de adoração que seja relevante para garantir o Ibope, a adoração se banaliza e vai sendo secularizado pela lógica do mercado, onde o que predomina não são os valores do Espírito, mas a competição e a busca da glória e do poder. Como o marketing não tem escrúpulos, Jesus é aclamado sob o patrocínio das multinacionais da bebida e do cigarro. È a banalização da adoração e também do nome de Jesus, que vai sendo utilizado para alimentar o ego de muitos, enriquecer o bolso de alguns, e promover os chamados “artistas da fé”.

Esse Jesus, que precisa de um marketing de adoração para ser relevante, está muito longe daquele Jesus do Calvário, cujo marketing principal foi o sacrifício da sua própria vida.

Acontece que o “espetáculo” do Calvário não dá Ibope, mas ainda é o melhor lugar de onde se contempla a graça e a salvação de DEUS – a essência do Sagrado e da adoração. É ainda graça que transforma a vida num grande espetáculo de amor e de alegria.

            Concluo com a minha definição de adoração. Adorar é: curvar-se prostrar-se diante da majestade e grandeza de Deus.

 

BIBLIOGRAFIA

 

LEILA, Cusmão; WESTH,  Ney. Culto cristão. Rio de Janeiro: JUERP, 2003.

CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado: versículo por versículo. 9. reimpressão. São Paulo: Candeia, 1995.

ELWELL, Walter. A. Enciclopédia histórico teológico da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1990.

RAMON, Tessmann. Louvor e adoração. JUERP: Rio de Janeiro, 2002.

RUSSELL, P. Shedd. Adoração Bíblica. Vida Nova: São Paulo, 1987.

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