As Várias Formas de Ameaça Gnóstica Dentro do Cristianismo

Os grandes perturbadores do cristianismo apostólico no século II foram os gnósticos, Montano e os montanistas e o orador anticristão Celso. Outros desafiaram o fluxo de ensinamentos e práticas dos apóstolos por meio de bispos por eles nomeados mas, aos olhos dos bispos, aqueles eram os principais oponentes a serem combatidos e vencidos.

            O gnosticismo é um rótulo genérico aplicado a uma grande variedade de mestres e escolas cristãs que existiram às margens da igreja primitiva e que chegaram a se tornar um grande problema para os líderes cristãos no século II.

            Embora os líderes eclesiásticos do século II, confrontados por um movimento fanático entre os seus seguidores, que parecia ter surgido do nada. Seus partidários o chamavam Nova Revelação e seus oponentes o chamavam montanismo, por causa do nome do seu fundador e principal profeta: Montano.

            Montano foi um sacerdote gnóstico pagão da região da Ásia Menor chamada Frígia que se converteu ao cristianismo em meados do século II. Porém ele rejeitava a crescente fé na autoridade especial dos bispos (como herdeiros dos apóstolos) e dos escritos apostólicos. Considerava as igrejas e seus lideres espiritualmente mortos e reivindicava uma “nova profecia”  com todos os sinais e milagres dos dias ideais da igreja primitiva no pentecostes.

            Para os bispos e líderes das igrejas o problema não era tanto a crítica feita por Montano  referente à falta de vida espiritual e seus apelos em prol do reavivamento, mas sua auto-identificação como porta-voz incomparável de Deus. Montano referia-se a si mesmo como “porta-voz do Espírito Santo” e acusava os líderes oficiais da igreja de prender o Espírito Santo dentro de um livro, ao tentar limitar a inspiração divina aos escritos apostólicos. Opunha-se energicamente a qualquer limitação ou restrição desse tipo e parecia enfatizar o poder continuo e a realidade de vozes inspiradas como a dele.

            É bem verdade que tanto o gnosticismo quanto o montanismo constituíam duas ameaças internas á igreja e à sua mensagem apostólica, ou seja, à união e à integridade do cristianismo primitivo. Outra ameaça ao cristianismo foram os escritores e oradores judeus pagãos, como Fronto, Tácito, Luciano, Porfírio e especialmente Celso como foi mencionado anteriormente.

            O mais famoso desses polêmicos opositores do cristianismo foi o filósofo pagão Celso que, por volta de 175 ou 180, escreveu um livro contra essa fé intitulado “a verdadeira doutrina”, um discurso contra os cristãos.  Celso foi um cidadão romano culto e auto- intitulado orador filosófico que talvez tenha sido criado em um lar cristão e que, na vida adulta, dedicou-se à filosofia grega. Refutar Celso era de suma importância porque era uma maneira de acalmar a ira do imperador Marco Aurélio contra o cristianismo, que em grande medida se baseava na suposição, possivelmente alimentada por Celso, de que os cristãos eram pessoas ignorantes que acreditavam em tolices e supertições e eram um perigo para o império.

            O ataque de Celso ao cristianismo é rico em informações sobre a vida e a fé cristã do século II. Ele deixou absolutamente claro que os cristãos de sua época criam em Jesus Cristo e adoravam esse homem como um Deus. A ponto de afirmar: ora, se os cristãos adorassem um único Deus, poderiam ter a razão a seu lado. Mas a pura  verdade é que adoram um homem que apareceu não faz muito tempo. Não consideram que aquilo que fazem é uma violação do monoteísmo; pelo contrário, acham perfeitamente consistente adorar ao grande Deus e também adorar como Deus o servo deste. E a adoração deles por esse Jesus é ainda mais ultrajante porque se recusam a escutar qualquer conversa a respeito de Deus, o pai de todos, a não ser que se faça referência a Jesus – basta dizer que Jesus, o autor da insurreição cristã, não era filho de Deus e eles não vão querer escutar. E quando chamam Jesus Filho de Deus, não estão realmente prestando homenagem a Deus; pelo contrário, estão tentando exaltar Jesus até às alturas.

                Celso atacou os ensinamentos cristãos com essa e outras aparentes contradições e inconsistências. Ele tentou mostrar que a cosmovisão cristã era tola e infinitamente inferior à filosofia espiritual genérica e eclética de um só Deus acima de todos, conforme ensinavam os filósofos platônicos. Os cristãos se viram diante de um dilema: ou ignoravam Celso e outros críticos semelhantes a ele, e retraíam-se em uma religião folclórica sem apresentar uma defesa lógica, ou enfrentavam o desafio e criavam doutrinas coerentes  que reconciliariam crenças aparentemente contraditórias como o monoteísmo e a divindade de Jesus Cristo.  Mas a maior ameaça  de todas para o cristianismo  foi sem duvida o gnosticismo e, portanto, abordaremos com mais detalhes e aprofundamento esse movimento, com resposta teológica que a igreja lhe deu. (OLSON, 2001, p. 27-35).

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