As Prisões

Diariamente nossos lares e nossas mentes são invadidos por imagens – às vezes, grotescas -, de cenários de várias prisões existentes pelo Brasil à fora. Nelas, vidas são traficadas; nelas a liberdade percebe-se pequena demais. Onde então estão as verdadeiras prisões? Alcatraz? Bangu I ?… Nem sempre!

    Não raro, elas se encontram dentro de nós mesmos. É no interior de cada um que as grades cerceadoras da liberdade vão sendo erguidas, em forma de sentimentos negativos, atitudes auto-depreciativas e vícios acorrentadores. Portanto, nós somos responsáveis pela nossa liberdade, como também por sua privação.

    Quem armazena ódio no coração, e permite-se, ao longo dos anos, a companhia do ressentimento, da amargura, da vingança e da inveja, apenas está construindo muros, dentro de si; na verdade, constrói muralhas. Não existe sistema penitenciário mais complexo e hermético do que o coração humano, alimentado pelo veneno dos sentimentos mesquinhos.

    Existem pessoas que vivem auto-depreciando-se. Não se amam, deixam-se dominar pelos outros; não se valorizam, e têm uma péssima imagem de si mesmas. Algumas chegam até a mendigar amor e atenção, negociam a dignidade e, o que é pior, tornam-se reféns de quem os procura. Viver assim, é fechar-se atrás das grades opressoras das inferioridade, do aniquilamento e auto-flagelação. É privar-se de ser alguém que sonha e acredita em si.

    E o que dizer da prisão que os vícios impõem ao ser humano? Vícios são algemas que colocamos sobre nós mesmos. São, portanto, limitações da vida e da liberdade.

    Na condição de viciado, o individuo é auto-condenado e assim o seu veredicto: prisão temporária, prisão perpetua ou pena de morte! Ele é réu e juiz de si mesmo. O álcool, o cigarro e as drogas têm silenciado a vida de milhares de pessoas. O vício é uma prisão de muros altos. É uma cerca elétrica em torno da vida. Um seqüestro da liberdade.

    Hoje, os grandes carrascos da liberdade se encontram dentro da própria casa, pela tragédia das famílias dilaceradas; dentro das escolas, como reflexo de uma sociedade que reforça a pedagogia do caos; nos relacionamentos, pelo encontro entre pessoas vazias de sentidos, de solidariedade, e muito longe de Deus.

    As verdadeiras prisões começam dentro de nós. Algumas pessoas tornam-se seqüestradoras de si mesmas, quando aninham, no coração, sentimentos negativos, quando não se valorizam e deixam-se dominar pela auto-destruição que se manifesta, ora pela eterna inferioridade, ora pela rendição aos vícios.

    Quanto custa a liberdade? Ela não tem preço! Mas onde encontrá-la, então? Sempre na verdade! Na verdade o do coração que ama e perdoa; do coração que se ama e reage; e, principalmente, no encontro com Deus, fonte de todo amor e da plena libertação. Por isso mesmo, Jesus, o Mestre dos mestres, afirmou: “conhecereis a verdade e ala vos libertará”.

 

Autor: Estevam Fernandes

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