O TEMPO DE DEUS!

Érika, em alguns momentos, temos a impressão de que Deus está muito distante como se estivesse indiferente às nossas necessidades, sem pressa alguma em nos atender. Surge, a partir daí, uma tensão entre a nossa pressa e a aparente demora de Deus. O resultado, não raro, é a sensação de abandono, de agonia e de impotência total.

             Há três reflexões que precisamos fazer nessas ocasiões. A primeira, Deus não tem  pressa! O agir de Deus como Senhor do tempo, da vida e da história é na exata medida de sua precisão. Ele é perfeito em tudo que faz. A pressa é própria do homem. Irmãos nossas neuroses não combinam com a paciência de Deus, é sempre bom lembrar que a nossa pressa não altera a ordem natural das coisas. O fluxo da vida é como o leito de um rio, que corre sozinho, sem que ninguém precise apressá-lo.

            Em segundo lugar, a aparente demora de Deus deve ser entendida por nós como um tempo pedagógico. Enquanto esperamos, Ele nos está ensinando algo. Muitas vezes, é na expectativa da espera que encontramos tempo para um mergulho em nossa interioridade, mudamos nossas percepções, refletimos sobre nossos valores, sentimentos e prioridade. Esperar origina uma forma de aprender. Quando esperamos por Deus, estamos aprendendo com Ele.

            Uma terceira reflexão com que nos deparamos no espaço de tempo entre a procura e a resposta é que na vida nada melhor que um dia atrás do outro. O tempo sempre nos traz à luz aquilo que não conseguimos enxergar de imediato, porque a presa encobre a nossa visão. Amados irmãos, a paciência produz a experiência, e a experiência nos conduz à esperança.Quem quiser colher frutos no futuro,precisa aprender a plantar esperança e paciência. Logo, por que apressar o rio se ele corre sozinho e naturalmente?

             A cultura do imediato, das respostas prontas, da comida rápida e das demais neuroses que a sociedade moderna nos impõe, acaba roubando de nós a paciência, uma das virtudes mais indispensáveis para quem quer viver uma vida melhor, e colher os frutos de um amanhã salutar.

             A vida desenvolve uma contínua construção, sempre inacabada, que exige repensar valores, vivenciar novos sentimentos, aprender novas lições, conquistar novos espaços e vislumbrar novos horizontes. Ávida é pedagogia pura. Ela é um aprendizado forjado nas lições do cotidiano.

             Deixemos pois que cada dia dê conta de si mesmo, e que despeje suas águas turvas, cheias de mazelas e tensões, sempre ao pôr do sol. Tenhamos sempre em mente que Deus está no controle de tudo, inclusível do tempo. Por que, então, apresar o rio? Siga o conselho de Jesus mestre da vida: “Não andeis ansiosos pelo amanhã; basta a cada dia o seu próprio mal”. Deus não tem presa! Nós é que não sabemos viver.

Autor: Estevam Fernandes

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