A Crise do Espetáculo da Vida

     A morte física faz parte do ciclo natural da vida, mas a morte da consciência humana é inaceitável. Só a aceita aqueles que nunca refletiram minimamente sobre as suas consequências psicológicas e filosóficas ou aqueles que nunca sofreram a dor indescritível da perda de alguém.

       È aceitável caos que desorganiza e reorganiza a matéria. Tudo no universo organiza-se, desorganiza-se e reorganiza-se novamente. Todavia, para o homem pensante, a morte estanca o show da vida, produzindo a mais grave crise existencial de sua história. A vida física morre e se descaracteriza, mas a vida psicológica clama pela continuidade da existência. Ter uma identidade, possui o espetáculo da construção dos pensamentos e ter consciência de si mesmo e do mundo que o cerca são direitos personalíssimos, que não podem ser alienados e transferidos por dinheiro, por circunstâncias e pacto social e intelectual algum.

      Se uma doença degenerativa do cérebro ou um traumatismo craniano pode às vezes, comprometer profundamente a memória e trazer conseqüências dramáticas para a capacidade de pensar, imagine as conseqüências do caos da morte. No processo de decomposição, o cérebro é esmigalhado em bilhões de partículas, esfacelando os segredos da história da existência contida na memória.

      É inconcebível a ruptura do pulsar da vida. É insuportável a inexistência da consciência, o fim da capacidade de pensar. A inteligência humana não consegue compreender o fim da vida.

     Outra coisa incompreensível pelo pensamento é a consciência do fim da existência. O pensamento nunca atinge a consciência da morte como “fim da existência”, o “nada existencial”, pois o discurso dos pensamentos sobre o nada nunca é o nada em si, mas manifestação da própria consciência. Pó isso, toda pessoa que pensa ou comete atos de suicídio não tem consciência da morte como fim da vida. Os que pensam em suicídio de ato não querem matar a vida, terminar a existência, mas “matar” a dor emocional, a angustia, o desespero que abate suas emoções.

     A idéia de suicídio é uma tentativa inadequada e desesperadora de procurar transcender a dor da existência, e não o fim dela. Só  vida tem consciência d morte. A morte não tem consciência de s mesma.

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